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A atuação do psicólogo com populações em vulnerabilidade foi debatida na UNICEP



Na última semana de agosto, de 21 a 26, a UNICEP realizou o XIV Simpósio de Psicologia, que apresentou palestras sob o tema “A atuação do psicólogo com populações em vulnerabilidade”.


Carlos Moura, graduado, com mestrado e doutorado em Filosofia e Pós-Doutorado em Psicologia trouxe o tema “Questão de gênero, raça/etnia e geração”. Segundo Carlos, um dos objetivos fundamentais da vida na universidade se dá no movimento de vitalização extra-muros, ou seja, no espaço potencial de debates, discussões, reflexões e trocas existenciais que a instituição consegue estabelecer: “em outras palavras, destaquemos o papel ético da universidade em dialogar e se inserir na comunidade, e isso na medida em que ela precisa transbordar seus limites geográficos”.


“É neste sentido que fui atravessado pelo apaixonamento desse encontro, ainda que virtual (ora, a nossa vida mental não se dá por ‘virtualidades’?), com a possibilidade de colocar em movimento os ‘saberes’ que (des)construímos, sejam por vias teóricas, sejam elas práticas. Foi delicioso estar na presença de estudantes tão interessados pela temática, participando com questões tão bem elaboradas que em muito me nutriram. ”, afirmou o palestrante.



Ele ainda explicou que: “Só posso resumir afirmando que confio, e muito, na importância da vida universitária e na capacidade transformadora de possibilitar a materialização de sujeitos pensantes sobre as suas sensações, sobre as suas sensorialidades, sobre os seus discursos e, sobretudo, sobre as suas (pseudo) verdades. Pseudo, porque só existem verdades em processo de transformação e enraizamento histórico, ético e estético! A minha gratidão à UNICEP e ao CAUP pela oportunidade! ”.


De acordo com o palestrante: “Se partirmos da reflexão de que nascemos sob a condição de sujeitos vinculares, isto é, na medida em que somos humanos, demasiadamente humanos, produzimos laços (desde a necessidade mais básica da vida estruturando o mais primitivo de nossos vínculos: boca-seio), as questões de gênero, raça, geração (ancestralidade) e etnia são vitais para os que se dedicam e se colocam, solicitamente e apaixonadamente, na presença daqueles que se encontram em sofrimento e empobrecimento psíquico.”.


E finalizou: “A nossa ‘escuta’ clínica não se reduz a um existente fora ou desenraizado do mundo, as suas queixas ou suas patologias não estão desvinculadas do ambiente que, por sua vez, inclui o estudo crítico de nós e do mundo! Tal escuta, ressaltemos mais uma vez, não está fora-da-vida, do simbólico e da linguagem e nem é de sobrevoo. Ao contrário, o próprio paciente, analisando ou cliente que se coloca diante de nós, convida-nos, a cada sessão, a nos atualizarmos sobre as relações entre a vida mental e as questões de gênero, raça, sexualidade e ancestralidade, justamente porque não há sofrimento de pessoas na condição de existentes-fora-das-estruturas-do-mundo-e-do-outro. Dito isto e colocada a demanda ética a que todo analisando nos insere, o tema ‘Questão de gênero, raça/etnia e geração’ é e continuará sendo de vital importância para entendermos o modo e o modelo pelo qual somos atingidos e atingimos o outro - seja dentro ou fora do setting!



A estudante do 8º período do curso de Psicologia, Isadora Bottion Jacoantonio, afirmou que os dizeres dos palestrantes ampliaram horizontes ao romperem fronteiras conservadoras que limitam a existência humana: “Perante isto, cada palestra foi significativa para mim. Creio que quando falamos, no âmbito da psicologia, do ser humano como um ser biopsicossocial histórico e espiritual, atravessamos questões sócio-políticas e, ao meu ver, as temáticas abordaram com eficiência aspectos fundamentais e de responsabilidade da atuação do profissional da psicologia”.


E finalizou: “Escolher um dia seria fixar-se na escolha de uma temática. Vejo que há beleza intrínseca no espaço concedido a cada um dos assuntos levantados. No entanto, apesar de identificar relevância em todos estes, a palestra referente a questão de gênero - com percepções filosóficas e existências -, bem como as que lançam luz de uma população que beira a ‘invisibilidade’ social - sobre consultório de rua e psicologia comunitária - obtiveram mais luminosidade intelectual e humana para mim.”.


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Texto: Ana Lívia Schiavone

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