Poemas Clica - Clube de Literatura, Cinema e Artes

CLiCA
Suzana Queren Valença Barbosa

O espelho,
O tempo,
Faces...
E assim a transformação
da construção
que não tem fim,
Mas que se depara
com a finitude da vida.
E se a alma perpetua para além do respiro da vida?
Isso nem ela sabe.
E o que somos nós?
Não, não...
Mas, o que estamos sendo nós?
Ou melhor,
O que estamos tentando ser?
...
Efusões
E confusões...
O que há definição não é compatível com a definição de "ser".
Um dia eu não me vi,
E foi um vazio

Um mês então eu não me vi,
E foi estranho
Eu apenas senti
Sentia vida
Fique leve, leve
Mas então voltei ao espelho,
E tudo voltou
Ao normal.


Alma
Jaqueline Ferreira 
 
A minha alma 
Não tem eco,
Ela tem calma
A calmaria do mar,
Ou talvez a brisa do oceano

A minha alma
Se acalma e faz silêncio
Porque ela já escutou muitos gritos no relento

A MINHA ALMA
Ama, engana e tem
Muito sofrimento

A MINHA ALMA
É igual um vulcão
E até dá uns gritos igual a um trovão

A minha alma
Se acalma.
Mas faria um buraco no coração
Para sair de tal escuridão
E não entrar em erupção

(POETAS do Tietê, 10 anos de poesia. São Paulo: Edições do Tietê, 2018, p. 64.).


A BAIANA
Jaqueline Ferreira  

À Baiana guerreira
que foi a primeira a lembrar do carnaval.
Folia, eba! ao quebrar o sistema
vendendo uma cerveja e um acarajé.
É, pois é,
não é hoje que morreu a Nazaré de fome, coitada.

À Paulista que quase foi atacada
ao sair da faculdade
por sair mais tarde e a condução já ter passado,
mas foi bem lembrado chama um Uber
pra não reviver a dor do passado.

À mineira que fez o queijo
mas não pôde cortar
porque em primeiro lugar era o homem
que sem pensar, já foi a julgar:
não faz nada além de cozinhar!
Sem nem pestanejar
começou a lembrar que
como o queijo era ela quem fazia
não custava aguentar o sol quente pra sair a vender.
Era o melhor mesmo pra, talvez,
ter um dia sem sofrer.

A todas as Rita's, as Cristiane's
às negras, às brancas ou às pardas
- se bem que pardo é um papel...

A todas que viram e lembraram que, por fim,
é só rodar a baiana
e tirar o pijama
pular da cama
porque a caminhada quem faz
é nós.

(SARAU Asas Abertas: mulheres poetas. Penitenciária Feminina da Capital. São Paulo: Edições do Tietê; Edicon, 2019, p. 52-53).

Foto - Narciso (óleo sobre tela, 1598-1599), de Caravaggio (Itália, 1571-1610). 
 

Cadastre seu e-mail

E receba novidades exclusivas

Compartilhe