Nutrição debateu a respeito do Guia Alimentar para a População Brasileira

Na última semana a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, submeteu um documento para o Ministério da Saúde querendo alterar o Guia Alimentar para a População Brasileira. Diante disso as docentes do curso de Nutrição da UNICEP se uniram e realizaram um webinar com os estudantes do curso para debater o assunto.

De acordo com Profa. Me. Valéria Cristina Schneider, diante da repercussão nacional que estava surgindo a respeito do Guia Alimentar para a População Brasileira, “resolvi, juntamente com a Profa. Maria Sylvia, em reunir os alunos do curso de Nutrição para esclarecer sobre os motivos da discussão em torno do Guia, para que eles ficassem ciente sobre o que realmente estava ocorrendo”.   

E a Profa. Dra. Maria Sylvia Carvalho de Barros, explicou: “Foi feita uma abordagem sobre o que é e qual a importância do Guia, o que foi questionado sobre o Guia e porque estavam sendo sugeridas modificações no documento e de onde vem a Classificação NOVA, usada no Guia Alimentar”.

E continuou: “O debate foi importante porque mostrou que o Guia Alimentar foi formulado com base em evidência científica de boa qualidade. Embora o documento esteja, sim, sujeito a revisões e atualizações, elas precisam ser feitas com cuidado e no interesse da saúde da população. O movimento em defesa do Guia considera que o ambiente na formulação e implementação de políticas públicas, hoje, pode ser favorável a modificações que necessariamente podem não ser com base em evidências científicas fortes, o que é inadequado.”.

As docentes, Sylvia e Valéria ainda contaram que desde que o Guia foi lançado em 2014, há questionamento e críticas a ele e à Classificação NOVA que ele adota para as recomendações. Foram feitas tentativas, por parte de representantes da Indústria de alimentos, para influenciar Ministério da Saúde para não publicar e depois para suspender ou revisar o Guia. Agora foi feita mais uma tentativa, junto à Ministra da Agricultura, para que ela solicitasse ao Ministro da Saúde a revisão do Guia Alimentar. O movimento de resistência surgiu depois que uma Nota Técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento foi divulgada, com críticas e avaliações bastante negativas do conteúdo do Guia, solicitação de exclusão da Classificação NOVA, entre outras. 

“O movimento em defesa do Guia Alimentar para a População Brasileira é espontâneo e nasceu entre profissionais da Nutrição que conhecem o Guia Alimentar e sabem da sua importância para a saúde pública no Brasil, por considerar questões relacionadas à sustentabilidade e por ser gerador de autonomia na escolha de uma alimentação saudável e de acordo com a cultura e a tradição das diferentes regiões brasileiras”, afirmaram.

A discussão foi muito positiva em defesa do Guia Alimentar e aos seus conceitos. “Para nós, esclarecer e levantar questionamentos saudáveis é um ganho para a comunidade acadêmica. Estimular o pensamento crítico é essencial, mais do que absorver o conteúdo, é preciso que o aluno possa formar uma opinião sobre ele e inclusive, questioná-lo. Deixamos uma reflexão após a apresentação e os esclarecimentos, para que cada um desenvolvesse sua opinião a respeito. Essas ações empoderam o aluno e lhe dão a oportunidade de mostrar seu conhecimento.”, concluiu a coordenadora do curso.


Texto: Ana Lívia Schiavone
 

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