Clica realizou dois encontros no mês de outubro, confira!

No mês de outubro o Clica – Clube de Literatura, Cinema e Artes da UNICEP, realizou dois encontros um dia 19 e outro dia 26.

No dia 19 foi realizada a Tertúlia com o poeta araraquarense Tadeu Marcato, "O 'eu' poético no mundo: vivências, reflexões e poesia - implosão da memória que não quer morrer". A poesia foi essencial numa espécie de desintoxicação mental do poeta, que é dependente químico em recuperação. Foram recitadas várias poesias de Tadeu Marcato que revelam um diálogo riquíssimo tanto com as próprias angústias quanto com a Filosofia, em especial de Albert Camus. 

“Entre outras coisas, a tertúlia permitiu reflexões sobre a forma como lidamos com a dependência química - basicamente, estamos na idade da pedra neste tocante, pois basicamente só excluímos, punimos, estigmatizamos ou ficamos nas mãos de instituições religiosas, que não são suficientes para lidarmos com a angústia social, a pobreza e a falta de acesso, que muitas vezes são vetores da dependência química. A arte, em especial a poesia, pode ter um papel fundamental num tratamento humanizado da dependência química. ”, contou o idealizador do clube, Prof. Dr. Marcos Gigante. 

Tadeu Marcato une Filosofia e Poesia - a Poesofia, tomando o fazer poético como uma materialização da angústia, para exteriorizar e reconhecer a si mesmo como um ser que precisa encontrar seus próprios sentidos, criá-los também.

Foram sorteados livros, um de Tadeu Marcato, por ele cedido, "Descanso do caos". Outro, de Gabriel García Márquez, "Memória de minhas putas tristes", cedido pela Prof.ª Beth Assis, docente da UNICEP e integrante do Clica.

Durante o encontro a associada Suzana Barbosa fez desenhos enquanto se desenvolvia a tertúlia.

Neste sábado, 26 de outubro aconteceu a Tertúlia com Evelyn Carolina de Mello: Lygia Fagundes Telles, "As meninas", Feminismo e Ditadura Militar.

“A professora literata Evelyn, que comandou a tertúlia, trabalhou em nível de pós-graduação com a literatura feminista. Ao abordar autoras, em especial durante o período da ditadura miliar, notou diversas lacunas de interpretação no período que, em geral, subestimavam o quanto de alguma maneira, as escritoras conseguiam colocar algumas questões ligadas ao tema do feminismo nessas obras, isso aparecia de um jeito diferente.”, explicou Gigante.

E continuou: “Na obra ‘As Meninas’ as primeiras páginas, o primeiro capítulo, parece ser um conjunto de coisas corriqueiras, de meninas um tanto adolescentes, ingênuas. Isso ajudava a driblar os censores, que geralmente não gostavam de ler muito. Então eles liam aquela primeira parte, já achavam que aquilo não feriam nada e nem ninguém, que não era uma obra subversiva. Com esse tipo de artificio as escritoras conseguiam colocar aos poucos, dentro do tema do cotidiano que só aparentemente eram banais, elas conseguiam colocar questões profundas sobre tudo, sobre a mulher, a condição e as dificuldades das mulheres se emancipar. Ao ponto das personagens nunca conseguirem seus propósitos de libertação de superação de uma situação patriarcal.”.

Evelyn Mello também falou um pouco sobre o período militar, deu alguns detalhes políticos, o nível da repressão e os diferentes momentos da ditadura militar. 

Confira como foram todos os encontros no site.

Texto: Ana Lívia Schiavone
 

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