CLiCA encerrou o semestre de 2020 com três encontros

Neste final de ano, os encontros do CLiCA, Clube de Literatura, Cinema e Artes da UNICEP se deram em três sábados seguidos: 28 de novembro, 05 e 12 de dezembro. E respectivamente trouxeram para debate as obras: "Menino a bico de pena", de Clarice Lispector, e "A caçada", de Lygia Fagundes Telles; "A herança africana no Rio de Janeiro"; e "A metamorfose", de Franz Kafka.

Antes, no dia 14 de novembro, a tertúlia tinha sido sobre a obra "As intermitências da morte", de José Saramago

Sobre o encontro de 14 de novembro, a estudante de Psicologia do UNICEP, Mariana Reinaldi, teceu as seguintes considerações: "Estive presente no encontro e achei que foi uma experiência enriquecedora. Não tive tempo de ler o livro, mas as discussões trazidas pelo professor no CLiCA me deixaram curiosa para realizar a leitura. Fiquei intrigada com o autor, José Saramago. Pelo que pude compreender, a obra 'As intermitências da morte' explorou algumas questões humanas (moral, economia, política, corrupção, amor, etc.) através do viés da morte, ou nesse caso da falta dela, e é algo que eu, particularmente, nunca tinha parado para pensar. Me trouxe boas reflexões. Agradeço pelo projeto, pois tem me agregado conhecimentos para a vida e para a minha graduação em Psicologia".

No dia 28 de novembro, a tertúlia foi sobre os dois últimos contos eleitos de uma primeira lista do projeto CLiCA. Tratam-se de "Menino a bico de pena", de Clarice Lispector, e de "A caçada", de Lygia Fagundes Telles. Para assistir a esse encontro basta clicar aqui! 

De acordo com o docente Marcos Gigante, idealizador do projeto: “Foram trazidas as texturas dos contos da forma mais completa possível, embora nada substitua a leitura dos próprios. Também foram feitas considerações, por exemplo no caso do conto de Clarice Lispector, sobre o crescimento da importância da Psicanálise a partir da década de 1950, que passou a ser usada como modelo biopsicológico de preocupação com a subjetividade infantil. Além das várias crônicas e colunas de Clarice Lispector, o conto ‘Menino a bico de pena’ é a expressão dessa visão que se tornou muito importante especialmente para as classes médias urbanas. No conto de Lygia F. Telles, ‘A caçada’, novamente foi discutida a questão do insólito na literatura (assunto também abordado no conto ‘Venha ver o pôr-do-sol’, da mesma autora no dia 29 de agosto)”.

No dia 05 de dezembro foi a vez do historiador Paulo Sergio Martins Pedro comandar a tertúlia "A herança africana no Rio de Janeiro". Por intermédio de slides, percorreu várias localidades da cidade do Rio de Janeiro, mostrando o contexto dos locais, contrariando o silenciamento das vozes africanas, e promovendo reflexões sobre o escravismo e o racismo no Brasil. Segundo Paulo Pedro, em vários aspectos do cotidiano podemos constatar a "herança viva nos costumes, na culinária, na música e na religiosidade". Paulo Pedro falou sobre a área portuária, a Organização Remanescente da Tia Ciata (ORTC), sobre o Instituto dos Pretos Novos (IPN); também, sobre as igrejas fundadas por irmandades de negros, o Museu do Negro, a religião e os ritmos africanos, matrizes do samba carioca. Este encontro pode ser conferido aqui!

Já no dia 12 de dezembro, a tertúlia foi sobre um dos maiores clássicos da literatura mundial, "A metamorfose", de Franz Kafka, que também pode ser visto clicando aqui! 

“Os participantes discutiram os três capítulos da obra, acompanhando a textura recheada de mergulhos na alma humana. Gregor Samsa, que em ‘certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos’ vê-se transformado num monstruoso inseto, evoca diversas dimensões da vida moderna: a solidão, a animalização, a violência, a perda da comunicação, o autoritarismo paterno e as diversas agruras familiares, que incluem extremas dificuldades de relacionamento e comunicação. Especial atenção é dada à condição de vida e de trabalho de uma família de trabalhadores. Em Kafka, nunca temos o devido controle sobre o que nos acontece, sobre nossa própria vida. Não raro, estamos numa situação que sequer compreendemos devidamente. Ficamos carentes de explicações e de sentido, já que estamos muito longe de sermos senhores absolutos de nossos destinos na modernidade.”, conto Gigante. 

“O CLiCA pretende ser um espaço de cultivo, de compartilhamento e de multiplicação de saberes; uma oportunidade de nos repertorizarmos com base na inteligência, sensibilidade e criatividade promovidas pela literatura, pelo cinema, pelas artes. Um exercício de compreensão, expressão e repertório crítico. Ano que vem tem mais! Associem-se pelo site.”, convidou o docente. 
 

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