Aulas remotas e intérpretes de Libras da UNICEP

Com o início das aulas online (remotas), realizadas ao vivo durante o horário das aulas, surgiram alguns desafios a serem superados, entre eles como continuar a interação dos estudantes surdos com os docentes e demais estudantes, agora de modo virtual. 

Mais uma vez, a participação efetiva das intérpretes de libras, que já os acompanhavam durante as aulas presenciais, foi fundamental para continuidade dos estudos e conclusão do semestre. Através da sala virtual UNICEP as intérpretes continuaram desenvolvendo seu trabalho em conjunto com os docentes das disciplinas, tudo ao vivo. Assim, foi possível que todos os estudantes interagissem com os docentes através de vídeo ou de um chat disponibilizado dentro da própria sala de aula. 

O que permitiu que Aldenize Pateis Pereira, estudante de Administração, interagisse normalmente na elaboração e apresentações de seminários, avaliações, entre outros.

“Eu gosto das aulas online, consigo acompanhar a explicação desde que eu veja a intérprete. Eu gosto mais da aula presencial porque na minha casa a internet não é boa, mas fora isso eu gosto de acompanhar as aulas dessa forma. Uma boa ideia dos professores foi eles compartilhem a tela do computador deles (para exibir sites ou softwares que vamos usar na disciplina) juntamente com a intérprete, eu consigo acompanhar a aula tranquilamente.”, contou a estudante que é surda.

Lis Maximo, intérprete de Libras, comentou: “A pandemia alterou bastante a rotina do trabalho de interpretação Libras e Português. O nosso vínculo com os alunos surdos é muito forte, pois nossa comunicação é feita pelo olhar, precisamos nos ver para nos comunicarmos.”.

Assim como Lis, é a primeira vez que Maria Eugênia Carvalho, também intérprete de Libras, interpreta de forma remota na esfera educacional. “No começo, foi complicado, fomos nos adaptando no meio do caminho, tanto em relação às ferramentas da plataforma quanto ao trabalho em si. Como em algumas disciplinas, estamos em duas intérpretes para revezamento, também tivemos que criar estratégias para adaptar o apoio e realizar as trocas de turno. Uma boa opção que encontramos foi utilizar o chat privado da plataforma para controlarmos o tempo. Quando era o momento de trocar, uma intérprete ligava a câmera e a outra, ao ver, já desligava a sua. Isso funcionou muito bem para o trabalho de revezamento!”, explicou Maria.

“Nós, intérpretes, nos revezamos em turnos de 20 min para evitar a exaustão”, contou Lis e continuou: “Uma outra alteração no nosso trabalho foi a tradução de provas, trabalhos avaliativos, instituímos a prática de gravação das avaliações e disponibilização deste vídeo no horário da prova. Foi uma alternativa que contou com o apoio e a confiança dos docentes e tivemos um feedback positivo dos alunos para mantê-las.”.

Maria Eugenia ainda explicou que: “Um ponto importante e positivo para o trabalho foi por conta da visibilidade que ganhamos ao estar com a câmera ligada para todos e não somente para o aluno surdo. Pudemos perceber que a parceria entre professores e intérpretes se deu de maneira mais satisfatória no que tange ao reconhecimento de nossa prática profissional. Pudemos realizar a tradução de provas com antecedência e proporcionar ao aluno surdo uma experiência mais inclusiva.”.

Texto: Ana Lívia Schiavone
 

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