» HISTÓRICO DO CURSO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO:
A primeira forma de produção surgiu com os artesãos, que participavam de todas as fases de um processo de fabricação. O artesão criava o produto, fabricava, negociava sua venda e o entregava ao consumidor. Com o tempo suas encomendas aumentaram e houve a necessidade de contratar mão-de-obra. Era preciso então organizar a produção. Novas formas organizacionais foram aparecendo e já no mundo capitalista, surgem as manufaturas caracterizadas pela concentração de trabalhadores no mesmo local de trabalho, exercendo operações iguais.
Com a Revolução Industrial, o sistema homem-máquina se tornou complexo, pois as plantas industriais aumentaram revolucionando o modo de produção antigo. Nesse contexto, surge a figura do ENGENHEIRO DE PRODUÇÃO.
Novas contribuições vieram dos EUA, no final do século XIX e início do século XX, com o surgimento e desenvolvimento do denominado "Scientific Management" (Administração Científica), preconizado por F.W. Taylor, Frank e Lillian Gilbreth, H.L. Gantt, dentre outros. Apesar de muito criticada e controvertida, a Administração Científica passou a ser introduzida por consultores que se rotulavam "Industrial Engineers" e criaram o rótulo "Industrial Engineering", como ainda hoje a Engenharia de Produção é mais conhecida nos EUA e em alguns outros países.
No Brasil, a primeira instituição de ensino a abordar a área de Engenharia de Produção foi a Escola Politécnica da USP, com a criação de um curso especializado em 1957, como opção do curso de Engenharia Mecânica. A primeira turma se formou em 1959 e só em 1961 as disciplinas específicas foram reunidas em um departamento.
O grande motivador desse novo curso foi o forte processo de industrialização vivido pelo país naquela época, particularmente com a instalação das indústrias automobilísticas na região do ABCD paulista.
Em 1971 surgiu o segundo curso de Engenharia de Produção, na Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na década de 70 surgiram cursos nas seguintes cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, São Carlos, São Bernardo do Campo, Piracicaba, Florianópolis e Caxias do Sul.
Em 1976 a Engenharia de Produção foi definida como habilitação profissional podendo se ligar a qualquer área de engenharia (Resolução 48/76 do C.F.E.). Sua aplicação fica limitada, ao menos teoricamente, a essas grandes áreas da engenharia (Civil, Metalúrgica, Química, Mecânica, Minas e Elétrica), excluindo-se de seu campo de atuação as empresas de serviços, as empresas do setor primário, etc.
Em 1977, a Resolução 10/77 do C.F.E. torna obrigatório, dentro das matérias de Formação Profissional Específica, as disciplinas: Controle de Qualidade, Métodos de Pesquisa Operacional, Planejamento e Controle da Produção, Estudo de Tempos e Métodos e Projeto do Produto e da Fábrica. A partir desse conjunto de disciplinas profissionais específicas, da definição do objeto de trabalho de engenheiro de produção e de algumas áreas básicas, os currículos foram definidos, levando-se também em consideração ênfases de interesses de cada instituição, áreas de aplicação, aspectos regionais, etc.
Em 1981 realizou-se na UFSCar o I ENEGEP (Encontro Nacional de Ensino de Graduação de Engenharia de Produção) cujo objetivo era realizar um diagnóstico e levantar propostas que visassem melhorias do ensino. Hoje, ENEGEP significa Encontro Nacional de Engenharia de Produção.
O XV ENEGEP, que ocorreu em 1995, na Universidade Federal de São Carlos, deu início à fase internacional do evento, constituindo-se no I Congresso Internacional de Engenharia Industrial e reunindo trabalhos e pessoas de vários países para discutir a Engenharia de Produção.
A partir de 1986, o ENEGEP passou a ser uma das atividades apoiadas pela Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO). Essa entidade agrega os profissionais, pesquisadores, estudantes e professores interessados no desenvolvimento da Engenharia de Produção no Brasil.
A discussão sobre a atuação profissional do Engenheiro de Produção e a estrutura curricular do curso, desencadeou o processo que resultou na proposta de criação da grande área de Engenharia de Produção, encaminhada pela ABEPRO e pelos cursos de Engenharia de Produção como contribuição para a elaboração das novas diretrizes curriculares, em atendimento ao Edital 04/97 da SESu/MEC.
Dentro deste processo, seguiu também uma definição da Engenharia de Produção, que vem norteando as estruturas dos atuais cursos: "Compete à Engenharia de Produção o projeto, a implantação, a operação, a melhoria e a manutenção de sistemas produtivos integrados de bens e serviços, envolvendo homens, materiais, tecnologia, informação e energia. Compete ainda especificar, prever e avaliar os resultados obtidos destes sistemas para a sociedade e o meio ambiente, recorrendo a conhecimentos especializados de matemática, física e ciências humanas e sociais, conjuntamente com os princípios e métodos de análise e projeto de engenharia".
r a apresentação do curso de Engenharia de Produção em
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